Escolas Amigas do Parque: Urubici planta futuros guardiões da natureza 

Quando se fala no Parque Nacional São Joaquim, é fácil imaginar paisagens de tirar o fôlego, trilhas imersas em araucárias centenárias e turistas vindos de todo o Brasil. Mas, para muitos jovens de Urubici, esse tesouro natural ainda estava distante da rotina, até ganhar espaço nos conteúdos da unidade escolar. Falamos da Escola de Educação Básica Araújo Figueiredo, uma das pioneiras do projeto Escolas Amigas do Parque, uma iniciativa que conecta estudantes ao território em que vivem, despertando o interesse pelo cuidado ambiental, pela identidade local e pela qualificação para o turismo sustentável.

A proposta nasceu de uma experiência internacional. Professores catarinenses participaram de capacitações na Alemanha, promovida pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (IDEL), em parceria com a BBW e Governo Alemão, trazendo de lá uma metodologia que une teoria, prática e vivências de campo, o Junior Rangers. Em Santa Catarina, mais educadores foram preparados para adaptar a ideia à realidade das escolas que cercam o Parque Nacional São Joaquim.

“Existe uma proposta metodológica, mas cada escola molda o projeto à sua realidade. Cada município define suas escolas, as turmas, geralmente com alunos de 11 a 16 anos, e garante que o tema do parque entre de verdade na sala de aula, com pelo menos uma saída de campo para vivenciar o que se aprende. A partir daí, tornam-se oficialmente Escolas Amigas do Parque”, explica Aline Nandi, coordenadora geral de projetos do IDEL.

Na EEB Araújo Figueiredo, de Urubici, a professora de matemática Thayse Salvador Ramos coordenou a turma do 2º ano do Ensino Médio. Para ela, abrir os portões da escola para o Parque é abrir também horizontes de futuro para seus alunos.

“Esses jovens já estão entrando no mercado de trabalho, muitos no turismo ou em atividades ligadas a restaurantes, pousadas, agências. Conhecer o parque, entender sua importância, aprender a cuidar e saber repassar isso aos visitantes é fundamental. É educação, é preservação e também é geração de renda”, destaca Thayse.

O ponto alto do projeto foi a visita à Trilha dos Xaxins Gigantes. A maioria dos estudantes, mesmo morando tão perto, nunca tinha pisado ali. O impacto foi imediato. Betina Cândida da Silva, uma das alunas, conta que a experiência vai ficar para sempre na memória. 


“Foi incrível. Conhecemos plantas, árvores, cogumelos, a idade dos xaxins. O guia explicou tudo. E no fim ainda vimos uma cachoeira linda. Depois, na escola, as aulas em forma de rotações foram muito especiais, tudo organizado com carinho, divertido e cheio de aprendizado em como cuidar do Parque. Eu amei”, conta a aluna Betina. 

A experiência não marcou só a Betina. Para Beatriz de Arruda Ramos, que representou a turma do 2º ano 2, a visita também foi um momento de descoberta e gratidão. “Nossa saída de campo teve como objetivo ampliar nosso conhecimento sobre a flora nativa. Foi muito legal conhecer um pouco do Parque Nacional e sua rica biodiversidade. Caminhar pela Trilha dos Xaxins foi uma experiência única: aprendemos muito e ainda nos divertimos. Queremos agradecer às professoras que nos acompanharam e nos proporcionaram tudo isso.”

De volta à sala, o conhecimento ganhou novas camadas com atividades interdisciplinares de biologia, geografia, leitura de dados estatísticos e debates sobre turismo sustentável. Um ciclo que planta sementes para o próximo passo: o Junior Rangers, programa promovido pelo IDEL em parceria com a BBW e Governo Alemão, que quer transformar os alunos em verdadeiros guardiões da natureza, multiplicadores de conhecimento e cuidadores do Parque para as próximas gerações.

O caminho agora é seguir avançando. Em agosto, o projeto ganha mais força com a vinda de parceiros da Alemanha para novas atividades, além de uma ação conjunta com o ICMBio no Salão Nacional de Turismo, onde será firmado o termo de cooperação. “A ideia é oficializar a metodologia, envolver ainda mais escolas e garantir que cada município tenha sua turma amiga do parque. É assim que a gente transforma conhecimento em cuidado e deixa um legado para as próximas gerações”, finaliza Aline. 

Sobre o Parque

Criado em 1961, o Parque Nacional de São Joaquim é uma unidade de conservação de proteção integral que guarda alguns dos cenários mais emblemáticos da Serra Catarinense. Administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o parque ocupa 49.300 hectares distribuídos entre os municípios de Urubici, Bom Jardim da Serra, Grão-Pará, Lauro Müller e Orleans. 

Sua paisagem é marcada por campos de altitude, florestas de araucárias, matas nebulares e formações rochosas, abrigando espécies únicas da fauna e flora da Mata Atlântica. Entre os pontos mais conhecidos estão o Morro da Igreja, ponto mais alto, com 1.822 metros de altitude e a famosa Pedra Furada, formação rochosa que atrai visitantes de todo o Brasil.

Além de proteger nascentes importantes para as bacias dos rios Canoas, Tubarão e Pelotas, o parque conecta pessoas e natureza através de trilhas como a dos Xaxins e o Cânion das Laranjeiras. O acesso é gratuito, mas as visitas devem ser acompanhadas por guias credenciados.