A capacitação aproxima Ilha do Combu, Belterra e Alter do Chão dos padrões globais de sustentabilidade no turismo.
A Amazônia está fortalecendo sua imagem como destino de turismo responsável. Entre os dias 11 e 15 de agosto, empreendedores e lideranças de Ilha do Combu, Belterra e Alter do Chão concluíram mais uma etapa da preparação para a Certificação Internacional de Turismo Sustentável. O Módulo 3, realizado no âmbito do Projeto Sebrae COP30 – Pará, promovido pelo Sebrae Nacional, Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (IDEL) e Green Destinations, teve como foco a gestão de resíduos sólidos, um dos desafios mais urgentes e estratégicos para a região.
Nos encontros, as consultoras do projeto destacaram que a geração de resíduos é hoje o impacto ambiental mais significativo da atividade turística, devido principalmente ao alto consumo de descartáveis de uso único pelos visitantes.
Ainda durante a capacitação, os participantes aprofundaram o conhecimento em temas essenciais para um destino sustentável. Foram discutidas estratégias para minimizar o uso de descartáveis, especialmente plásticos, incentivando a substituição por alternativas reutilizáveis. Também foram apresentadas formas de reduzir desperdícios, com medição e monitoramento da quantidade de resíduos gerados, incluindo os alimentares. Outro ponto central foi a dica para implantação de sistemas eficientes de separação e reciclagem, utilizando lixeiras identificadas e códigos de cores para facilitar o manejo.
“Os empreendedores saíram com metas e planos claros para reduzir e gerenciar resíduos, dentro da realidade local e alinhados às exigências globais”, detalha uma das consultoras do projeto, Malu Mayorga, ao mesmo tempo em que reforça que o grande diferencial está em transformar conhecimento em ação.

Além disso, os empreendedores receberam orientações para eliminar garrafas plásticas de uso único, promovendo o consumo de água segura da torneira e incentivando os turistas a utilizarem garrafas recarregáveis. Foram apresentados exemplos de ações comunitárias de reciclagem que podem envolver moradores e visitantes, fortalecendo a consciência coletiva. A abordagem também incluiu a importância de medir resultados e estabelecer metas claras para reduzir, reutilizar e reciclar, criando um ciclo contínuo de melhoria ambiental. E ainda, temas como energia e clima, cultura, gerenciamento e informações e saúde e segurança também foram abordados neste módulo.
Para o presidente do IDEL, Alex Bastos, investir nesse tema é mais do que cumprir exigências. “Gestão de resíduos não é apenas uma exigência de certificação, mas um passo essencial para preservar o meio ambiente e garantir a competitividade dos nossos destinos no mercado nacional e internacional”, pontua ele.
A empreendedora Zoyra Torres, do Restaurante Miralha, na praia do Pindobal, em Belterra, afirmou que a experiência foi transformadora: “Foi um divisor de águas. Já tínhamos ações ecológicas, como lixeiras de pneus reciclados, mas agora ampliamos a visão para reduzir descartáveis, cuidar melhor da separação e implementar práticas aprendidas”, conta.
Entre os próximos passos, as empresas e destinos participantes passarão por auditorias que irão verificar o cumprimento de todos os critérios para a certificação em gestão sustentável. A expectativa é que, em breve, a Amazônia tenha novos empreendimentos certificados, ampliando as oportunidades econômicas para as comunidades locais.
O Projeto Sebrae COP30 – Pará é estruturado para gerar resultados concretos antes, durante e após a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que será sediada em Belém, em novembro. Ele engloba sete grandes frentes: diagnóstico de sustentabilidade; capacitação em boas práticas; acompanhamento técnico em diferentes fases; apoio na inscrição e submissão de documentação; elaboração e revisão de relatórios de avaliação; realização de auditorias presenciais; e entrega das certificações acompanhadas de um Manual de Boas Práticas.
Cerca de 40 empresas, nos três territórios, além de rotas, estão participando do processo de certificação. Mais do que conquistar um selo, o projeto deixa um legado de gestão eficiente, fortalece a estratégia local de sustentabilidade, envolvendo todas as partes interessadas na construção de um turismo mais responsável, além do fortalecimento econômico para as comunidades amazônicas.















