O crescimento acelerado de Içara já começa a pressionar o acesso à moradia e deve se intensificar nos próximos anos. Um estudo elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (IDEL) em parceria com a prefeitura de Içara revela que a situação habitacional do município aponta que a cidade pode ultrapassar 80 mil habitantes até 2050, ampliando significativamente a demanda por imóveis e infraestrutura urbana.
Hoje, cerca de 90% dos domicílios estão concentrados na área urbana, evidenciando uma transformação rápida no perfil da cidade. Esse avanço, embora positivo do ponto de vista econômico, traz desafios importantes, especialmente relacionados ao acesso à moradia.
De acordo com o levantamento, Içara possui um déficit habitacional estimado em 1.223 domicílios. O dado mais preocupante é que a maior parte desse déficit está ligada ao alto custo da moradia, o que indica que muitas famílias até encontram imóveis disponíveis, mas não conseguem arcar com os custos.
Além disso, o estudo chama atenção para problemas estruturais que ainda afetam parte da população, como aspectos de abastecimento de água, esgotamento sanitário e acesso à internet, evidenciando desigualdades dentro do próprio município.
Por outro lado, o cenário também revela oportunidades. A existência de imóveis vagos e o crescimento do setor da construção civil — um dos que mais avançaram na economia local — abrem espaço para novos investimentos, políticas públicas e privadas para o setor.
Outro destaque é o impacto econômico do setor habitacional: para cada R$ 1 investido em construção, há um retorno estimado de R$ 1,80 na economia local, movimentando diversos segmentos e gerando empregos.
Para especialistas, o momento é decisivo. “Içara está crescendo em ritmo acelerado, e isso exige planejamento. A questão da moradia não é apenas social, é também econômica e estratégica para o futuro da cidade”, aponta a análise.
Ainda segundo o estudo, o município precisa avançar em políticas integradas que unam habitação, infraestrutura e desenvolvimento econômico. “Se bem planejado, o crescimento pode se transformar em oportunidade. Caso contrário, pode ampliar desigualdades e pressionar ainda mais a cidade”, alerta.
O levantamento deve servir como base para decisões do poder público e para orientar investidores e o setor imobiliário sobre o potencial e os desafios do município nos próximos anos.
